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Indivíduos viram adubo de futuras árvores nativas com urna biodegradável

A ideia de que tudo se transforma e volta à vida nunca foi tão concreta quanto a modificação de uma pessoa numa futura árvore da Mata Atlântica. Por meio da chamada biourna, que dá lugar a tradicional urna funerária ocupando espaço nos cemitérios, é possível usar as cinzas humanas para alimentar uma nova muda em crescimento. O momento delicado da perda é convertido em vida, e uma árvore única e cheia de significado ganha espaço na natureza.

Para isso acontecer, a organização Floresta Urbana criou um projeto especial de urna, em formato arredondado e totalmente feita em argila biodegradável, que permite à matéria orgânica se integrar ao solo e à nova árvore fixar suas raízes.

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“Foram necessários muitos estudos, optamos por usar a muda já crescida ao invés das sementes, que podem não germinar. Também escolhemos espécies nativas que durem pelo menos 70 anos, afinal é um ato que simboliza o desejo da pessoa em permanecer ali”, conta Thelma Spangenberg, educadora e fundadora da Floresta Urbana.

A muda de árvore é colocada na parte superior da urna e as cinzas queimadas na parte de baixo, pois o carbono em quantidade (as cinzas de um ser humano têm até 1,5 quilos) contribui com a nutrição e fertilização da planta. A seguir, é aberto um berço na terra e a biourna inteiramente enterrada, deixando-se apenas a muda visível do lado externo.

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Grumixama, Quaresmeira, Pitangueira, Araçá, Ipê, Jacarandá… estão entre as árvores de grande porte que poderão ocupar o ambiente trazendo de volta a Mata Atlântica. Podem germinar na cidade ou no campo, dependendo do lugar escolhido pela família.

“É um momento especial, de respeito e homenagem a quem se foi, recentemente participamos de um ritual de plantio com a biourna e foi uma satisfação ver a família emocionada com o novo ipê-roxo que está crescendo no sítio”, lembra Thelma.

Saiba mais em: http://www.arvoredevida.org/