semente mamao

Diversidade no cardápio é meio de defender a terra

Pipoca de semente de Vitória-régia, geleia de Chal Chal, tempero de semente de Mamão e o pólen da Taboa. Algumas das plantas do imaginário brasileiro são um prato cheio para enriquecer a alimentação, bem como partes de plantas conhecidas que nunca imaginamos seriam tão saborosas.

O debate PANC na Alimentação, organizado pela AAO – Associação de Agricultura Orgânica, no último dia 8 de junho, trouxe à tona a importância da agrobiodiversidade brasileira quando se fala em agroecologia e recuperação dos biomas. “Toda essa diversidade precisa chegar aos cardápios dos restaurantes, escolas, às casas das pessoas, pois essas Plantas Não Convencionais ampliam o horizonte do que podemos comer”, revelou Valdely Kinupp, criador do termo PANC.

Se poucas folhas de Dente-de-Leão são mais ricas em nutrientes do que uma Alface, Valdely questiona por que utilizamos somente 0,4% da diversidade vegetal do planeta em nossa alimentação. Só no Brasil são 30 mil espécies de plantas diferentes que podem ser comidas, enquanto a média alimentar é de no máximo 200 espécies por ano!

“Somos muito monótonos em nossas escolhas e isto é fruto de um imperialismo alimentar gastronômico que nos fez valorizar poucas espécies importadas e plantadas em clima temperado”, disse.

Além de plantas espontâneas e nativas, como Assa-Peixe, Tanchagem, Ora-Pro-Nobis, entre outras, é possível usar partes de plantas não imaginadas, como o palmito da Bananeira e o pecíolo da Vitória-régia. O desafio é ampliar o conhecimento, come-se pouco as PANC pois não se conhece e, por isso, cultiva-se pouco.

“O importante é conhecer, se todos tiverem um mínimo de alfabetização botânica, começaram a comê-las”, enfatizou Bela Gil. Ela trouxe uma rica dica para a cozinha: ao invés de jogar fora as sementes do mamão, lave, torre no forno, coloque na pimenteira direto na mesa e descubra o aroma que dá às saladas.

evolucaoecolodge
Vitória-régia, sementes viram pipoca
Chal chal
Fruto Chal Chal, da Mata Atlântica
portaldoholanda
Taboa, de onde se extrai pólen

(crédito fotos: Gororoba com Cardamono, Evolução Ecolodge, Portal do Holanda, Gustavo Giacon)